quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um livro é uma casa

Um livro é uma casa
De muitas cores
Onde moram as histórias

Pegas numa
E fazes dela a companheira
Dos teus sonhos

Espraias os olhos
Pela janela das páginas
Em busca do desconhecido
E vês desfilar à tua frente
Os assombrosos Habitantes da fantasia

Um lobo sábio
Sentado debaixo de uma árvore
Com frutos esmeralda

Uma menina
Feita de rebuçado
Correndo numa seara
Um cavaleiro sem espada
Uma harpa falante
Um dragão de névoa
Pode ser longo ou curto
O teu passeio
Pelas várias divisões da casa

Quando te cansares
Fechas a porta serenamente
E adormeces feliz

Carlos Alberto Silva

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bem-vindos à Biblioteca!





Batiam asas mas
sempre tropeçavam
em borboletas brancas.
As sílabas
na busca do palácio
das palavras.
Assim dizias tu
a desculpar
a visível mudez.
Quando a chuva lavava a pobre fala dos homens
choravas letras dentro dos dicionários.
As estantes gemiam ao peso das ideias
afogadas.
As larvas entretinham-se
a devorar discursos.
Não desesperaste.
E o dia aconteceu
em que disseste a única palavra permitida
a quem pela voz dos anjos se perdeu.



Helena Vieira da Silva







segunda-feira, 20 de junho de 2011

Onze das mais espantosas bibliotecas da Antiguidade
Carol Brown
Tradução: Paulo Sousa

Este artigo foi-nos enviado por Kaitlyn Cole, escritora ao serviço de onlineuniversities.com. Contamos em breve traduzir o artigo “The 10 Most Posh Public School Systems in America”, que podem encontrar em

Villa dos Papiros, Herculano
As bibliotecas, independentemente de pertencerem ou não a uma universidade, a uma rede pública ou, simplemente, a um particular, são uma vértebra fundamental da espinha dorsal da sociedade. Estas instituições intelectuais permitem que o conhecimento e a aprendizagem sejam igualmente acessíveis a todos os indivíduos, empresas e localidades, evitando a estagnação mental – e, subsequentemente, a estagnação colectiva. É de notar, também, que elas não são uma coisa nova!Ao longo de milhares de anos, bibliotecas de todos os tipos e dimensões têm ajudado a humanidade a progredir cada vez mais, permitindo o surgimento das maiores inovações alguma vez engendradas. Apesar de todas, exceto uma, terem gradualmente sucumbido ao fogo e ao tempo, estas maravilhas da antiguidade merecem a nossa admiração e foram reconhecidas/consagradas por todos os seus sucessos na promoção dos mais diferentes tópicos académicos e literários imagináveis.


  1. Villa dos Papiros: Localizada em Herculano, na Itália, a Villa dos Papiros tem a honra de ser uma das poucas (senão a única) bibliotecas do período clássico que praticamente sobreviveram até aos nossos dias – apesar e a erupção do Monte Vesúvio, de 79 d.C., a ter sepultado sob toneladas de cinzas vulcânicas. Escavada em 1752, os arqueólogos descobriram no piso superior pelo menos 1785 rolos carbonizados ainda intactos (aos quais este local arquológico deve o seu nome), estando o piso inferior ainda por explorar. Lucio Calpurnio Piso Caesonio, sogro de Júlio César, poderá ter sido o proprietário desta enorme habitação, a qual se encontrava sobrepovoada por oitenta belíssimas esculturas (a maior parte das quais em bronze) e apresentava alguma da mais sofisticada arquitectura da sua época. Dado o gosto do proprietário pela filosofia, a maior parte dos textos presentes na sua biblioteca privada foram pessoalmente escolhidas pelo seu querido amigo, o epicurista Filodemo de Gadara.
  1. Biblioteca Real de Ashurbanipal: Ainda que nada mais, nesta majestosa biblioteca assíria, conseguisse impressionar os leitores, o facto de ter possuído as tabuinhas originais que continham A epopeia de Gilgamesh consegui-lo-ia. Aninhada en Ninive, a antiga capital imperial, a Biblioteca Real de Ashurbanipal – que recebeu o nome do mais importante dos seus últimos reis – gabava-se de possuir milhares de documentos. O Museu Britânico estabelece o número exacto de 30.943 itens sobreviventes. Claro está que a maior parte destes são tabuinhas gravadas em escrita cuneiforme acadiana, cobrindo uma vasta gama de assuntos e mostrando soberbamente o orgulho que o rei tinha no seu saber. Os historiadores acreditam que a biblioteca ruiu aquando da queda de Ninive, como resultado do ataque dos medos, babilónios e citas, em 612 a. C. O fogo ateado para a destruir acabou por cozer as tabuinhas de barro, preservando-as durante milahares de anos. Os textos gravados em cera não tiveram tanta sorte.
  1. Biblioteca de Pérgamo: Plutarco considerava que aquela que era a principal biblioteca da antiga Turquia, na antiga Pérgamo (a actual Bergama) possuía mais de 200.000 documentos, mas o facto de não ter sobrevivido qualquer documentos administrativo torna impossível confirmar se assim foi. Diz-se que Marco António terá enviado todo o acervo desta biblioteca a Cleopatra VII - um estupendo presente de noivado - e que esta o depositou imediatamente na Biblioteca Real de Alexandria. Os aficionados da arqueologia bíblica adorarão visitar as ruínas da Biblioteca de Pérgamo, dado que S. João de Patmos se refere a ela como uma das Sete Igrejas da Revelação.
    
    Biblioteca da Universidade de Nalanda,
    Bahir, Índia
    
  1.   Universidade de Nalanda: Bahir, na Índia, é a terra de um dos mais elogiados círculos intelectuais do mundo antigo, tendo sido a Universidade de Nalanda o seu centro nevrálgico entre, aproximadamente, 427 e 1197 d. C. A sua biblioteca, alcunhada de “Dharmaganja” (“Tesouro da Verdade”) e de “Dharma Ghunj” (“Montanha da Verdade”), estaria repleta com centenas de milhares de textos. Nos seus tempos áureos, a Universidade de Nalanda era elogiada por possuir a maior colecção de literatura budista, ensinar novos seguidores, desenvolver novas filosofias e ajudar a fé budista a espalhar-se pelo sul da Ásia. O ano de 1193 viu os invasores turcos incendiarem esta prestigiada casa do saber; diz a lenda que precisaram de meses para conseguir destruir tudo.  
  1. Biblioteca teológica de Cesarea Maritima: Até à sua destruição total, em 638 d.C. (data estimada), a Biblioteca Teológica de Cesareia Maritima era a maior e mais influente biblioteca eclesiástica do mundo antigo. Entre as suas maravilhas literárias encontrava-se O Evangelho segundo os Hebreus, muito possivelmente a única cópia completa da Héxapla [Héxapla: Bíblia editada em seis versões: a Hebraica; a do hebraico transliterado em grego; a versão de Áquila de Sínope; a versão de Símaco, o ebionita; a Septuaginta; a versão de Teodócio de Éfeso - http://pt.wikipedia.org/wiki/H%C3%A9xapla] e as obras de S. Jerónimo, de Basílio, o Grande, e de Gregório de Nazaré – entre outros filósofos religiosos altamente conceituados. Grande parte das suas 30.000 obras foram recolhidas graças a Origenes e S. Pânfilo de Cesareia, sendo a sua maior parte acerca do cristianismo.
  1. Bibliotecas de Ugarit: Localizada na Síria moderna, a biblioteca de Ugarit orgulhava-se de ter pelo menos cinco requintadas bibliotecas. Duas delas, uma das quais pertencia a Rapanu (um diplomata), eram privadas – algo raro em 1200 a.C. Uma daquelas bibliotecas estava localizada no palácio e outra num templo. Todas elas coligiam tabuinhas de barro e o seu conteúdo cobria uma ampla gama de assuntos, tratados em pelo menos sete línguas diferentes. A maior parte destes textos, como se imagina, debruçavam-se sobre política, direito e economia, mas a religião, os estudos académicos e a ficção não eram temas invulgares.
  2. Bibliotecas do Forum: O Fórum de Trajano, sede da Bibliotecha Ulpiana, deve ser a mais famosa das bibliotecas romanas. Mas tal não nos deve levar a pensar que essa é a única instituição que merece ser inevstigada! Tanto o templo de Apolo Palatino como o Porticus Octaviae possuíam as suas próprias livrarias, tal como acontecia com outros fóruns imperiais. Todos estes deveriam coleccionar textos em latim e grego – por vezes noutras línguas – em secções separadas, para facilitar o acesso aos mesmos.
  3. Bibliotecas de Timbuktu: A lendária cidade do Mali foi e um dos mais influentes centros intelectuais da época medieval. Como uma unidade coesa, as suas espantosas bibliotecas (e a universidade) albergavam os mais de 700.000 manuscritos agora famosos. Estes trabalhos colheram grande atenção nos últimos anos, em grande parte devido ao facto de terem permanecido ocultos por mais de um século. Muitos destes justamente considerados tesouros literários versam sobre o Islão e temas islâmicos, e são escritos em árabe. Alguns deles tesouros são também maravilhosos exemplos de manuscritos iluminados.
  4. Biblioteca de Celso: O senador greco-romano Tibério Júlio Celso jaz sepultado sob a biblioteca que ostenta o seu nome, a qual é agora uma ruína na actual Turquia. A sua dupla herança foi honrada tanto pela arquitectura do edifício como pelo belíssimo conteúdo das suas estantes. Terminada em 135 d.C., albergou 12.000 rolos e pode ter servido de modelo a outros edifícios semelhantes, que o fúria dos tempos fez desaparecer. O local de deposição do sarcófago de Celso foi bastante invulgar para o seu tempo, já que poucos políticos apreciariam a excelsa honra de passar a eternidade dentro da sua própria biblioteca.
  5. A biblioteca Imperial de Constantinopla: Constantinopla, a actual Istambul, situava-se no coração do Império Bizantino. E no coração da antiga Constantinopla situava-se uma das mais grandiosas bibliotecas da história, quer do mundo antigo, quer do mundo contemporâneo. Durante quase mil anos, a Biblioteca Imperial (criada durante o reinado de Constantino II, entre 337 e 361 d.C.) manteve vivas e acessíveis as tradições literárias latina e grega. Orgulhava-se ainda de possuir um admirável scriptorium destinado a preservar e transcrever papiros frágeis e outras obras. O fogo, infelizmente, mostrou o seu poder destrutivo em duas ocasiões: um primeiro incêndio, em 473, destruiu circa 1200 textos ; a quarta cruzada, em 1204, terminou a destruição.
  1. A Biblioteca Real de Alexandria
    A Biblioteca Real de Alexandria: A Biblioteca Real de Alexandria, a outrora jóia da coroa do antigo Egipto, será o primeiro nome que vem à cabeça da maior parte das pessoas quando se fala em instituições intelectuais do Mundo Antigo. Júlio César teve a infame iniciativa de a mandar incendiar em 48 a.C., destruindo o que então era um dos maiores repositórios mundiais de textos literários, políticos, legais, económicos, científicos, filosóficos e religiosos. Desde o Século III a.C. até à fúria colectiva que provocou a sua destruição, o antigo Egipto utilizou esta biblioteca em busca de conhecimento e informação. Ela albergava um museu cujos artefactos, juntamente com a sua colecção de textos, a faziam brilhar. Diz-se que o rei Ptolomeu II queria que esta prestigiada instituição detivesse pelo menos 500.000 obras, sendo que cada uma destas estaria escrita em vários rolos.
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terça-feira, 14 de junho de 2011

Direito à morte assistida?

Encontrámos uma notícia que tem interesse para os alunos de filosofia e para os que se interessam por questões morais.
Este tema e outros do mesmo âmbito são abordados em obras que temos na Biblioteca, na secção de Filosofia (cota 17 - ética), das quais destacamos:
   SINGER, Peter - Ética prática, Lx., Gradiva, 1999
   RACHELS, James - Elementos de filosofia moral, Lx Gradiva, 2003

Consulte o índice analítico e procure termos como "eutanásia" ou "suicídio".



Eis o endereço de onde a retirámos e onde podem assistir à entrevista de Terry Pratchett:
http://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-13758286

O escritor Sir Terry Pratchett declarou que ter testemunhado a morte assitida de um homem, documentada para uma controversa reportagem da BBC, não afectou o seu apoio à causa do suicídio assitido.

No programa Escolher a morte (Choosing to Die), o escritor de 63 anos – que tem a doença de Alzheimer – deslocou-se à Suíça para testemunhar a morte de um cidadão britânico que sofria de doença neuromotora (?).

Liz Carr, uma defensora dos deficientes, considerou que se tratou de propaganda a favor do suicídio e declarou-se surpreendida por ter sido realizada pela BBC.

A BBC declarou que a reportagem da passada segunda feira ajudaria os telespectadores a “formarem as suas próprias opiniões”.

O programa, mostrava Peter Smedley, um gerente hoteleiro de 71 anos, a viajar de sua casa, na ilha de Guernesey, até à Suíça para tomar uma dose fatal de barbitúricos, que lhe foi fornecida pela organização Dignitas.

A dignidade da vida
Sir Terry, que participou no filme para poder decidir se podia escolher morrer no momento e da forma que quisesse, declarou que observar a actuação da Dignitas não o fez mudar de opinião.
“Defendo que uma pessoa subitamente vitimada por uma doença fatal deveria poder escolher morrer de forma tranquila e com ajuda médica, em vez de sofrer”, declarou ele na BBC's News Night.

Questionado sobre a santidade da vida, Sir Terry respondeu: “E o que dizer sobre a dignidade da vida?” A falta de dignidade motivo suficiente para algumas pessoas porem termo à vida, afirmou ele.

Disse ainda que defende o direito ao suicídio assistido deveria ser estendido àqueles que ultrapassam a idade limite para darem o seu consentimento. Acusou ainda o Governo de fazer marcha atrás na questão do suicídio assistido.
“Sinto vergonha por o povo britânico ter de se arrastar até à Suíça, suportando despesas consideráveis”, declarou.

A BBC negou que apresentação do seu programa facilite o aparecimento de outros suicídios, por imitação, e considerou que ajudará os telespectadores a formar a sua opinião acerca desta questão.

O realizador do documentário, Charlie Russel, declarou que a decisão de filmar a morte do Sr. Smedley foi muito ponderada.
“Como realizador, senti que estava a mostrar a realidade e que, infelizmente, todos havemos de morrer”, disse. “Não é bonito, mas é algo que nos acontece a todos”

O Sr. Carr disse:
“Eu e muitos outros idosos incapacitados e que sofrem de doenças incuráveis receamos o significado da legalização do suicídio assitido e os efeitos que ela pode provocar, e consideramos que estes argumentos não estejam a ser debatidos, mas descartados, e que as salvaguardas não estão a ser devidamente tidas em conta.
“Até termos esse debate devidamente programado, não me sinto com vontade para participar nesse debate mais alargado”

O Justo Reverendo Michael Langrish, Bispo de Exeter

O Bispo de Exeter, o Justo Reverendo Michael Langrish, defendeu:
“Espero que o direito das pessoas à vida seja defendido com mais ênfase do que o seu direito à morte.” Disse ainda: “A lei ainda acarinha aquele sentido do valor intrínseco da vida. Mas, em última análise, a lei não existe para limitar a capacidade de escolha dos indivíduos. Existe para impedir que a acção e a cumplicidade de terceiros ditem a morte de uma pessoa. Isso continua a ser ilegal. Podem existir circunstâncias atenuantes a ter em conta; a a lei continua a ser clara e existe para proteger os mais vulneráveis.”

Debbie Purdy, que sofre de esclerosa múltipla, foi a tribunal para impedir que o seu marido seja processado por a companhar à Dignitas.
“Qualidade de vida”, disse ela no debate que se seguiu ao programa. “Os políticos não se actualizaram. Os advogados e juízes foram os únicos que se prepararam para defender os meus direitos... e o meu direito à vida e à qualidade de vida é para mim a coisa mais importante.”

Nos últimos 12 anos, 1.100 pessoas de toda a Europa foram “assitidas na sua morte” pela Dignitas. Uma porta-voz do grupo de pressão Morte Digna (Dignity in Dying) disse que [o documentário] foi
“profundamente comovente e difícil de assistir.” Ele disse que “percebeu-se bem que não se quis esconder a realidade da morte assistida. Desafia-nos a todos a continuar a reflectir sobre este importante problema e questiona-nos sobre as escolhas que queremos fazer para nós próprios e para os nossos entes queridos perante o final das nossas vidas.” Afirmou que o actual quadro legal do Reino Unido implica “não só que as pessoas tenham de viajar para o estrangeiro, mas que haja quem ponha fim à vida em sua casa, atrás de portas, sem a juda de médicos, ou recorrendo aos seus entes queridos que os ajudam cometendo um crime.”

Propaganda

A associação Morte Digna exige uma lei da morte assitida “devidamente salvaguardada”.
Mas Alistair Thompson, porta-voz do grupo de pressão Aliança Cuidados Contra a Morte afirmou: “Isto é propaganda a favor do suicídio assistido mal disfarçada de documentário”. Os activistas defendem que, sobre este tema, este é o quinto programa em três anos produzido pela BBC e apresentado por activistas a favor da eutanásia. Disse ainda:
“Os factos revelam que quanto mais se mostra [notícias sobre suicídios], mais suicídios são cometidos. A BBC trabalha para objectivos diferentes dos de outros meios de comunicação e tem a responsabilidade de, no seu programa, apresentar imparcialmente os dois lados da questão.”

A BBC negou  ser tendenciosa acerca deste problema e um seu porta-voz afirmou que o documentário “se debruçava sobre a experiência de uma pessoa, a viagem de Sir Terry pelas implicações da experiência que ele está a viver na sua própria pele.” Acrescentou ainda que o documentário ajuda as pessoas a formarem as suas próprias opiniões acerca destas questões.”


Um porta-voz do Ministro da Justiça declarou: “O Governo acredita que qualquer alteração da lei numa área assim tão emotiva e polémica é uma questão que diz respeito à consciência individual e é um problema acerca do qual as decisões políticas cabem ao Parlamento e não ao Governo”

O documentário Escolher a morte e o debate na BBC's Newsnight podem ser vistos no BBC's iPlayer.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Exposição de Fotos - A queda do muro de Berlim

A cidade de Berlim esteve dividida por um muro de betão e arame farpado entre 1961 e 1989. A separação física dos dois lados da cidade marcava as diferenças ideológicas entre dois blocos político-militares que se enfrentavam: o Bloco de Leste, chefiado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e o Bloco  Ocidental, Chefiado pelos Estado Unidos da América. A Alemanha foi o pricipal cenário cenários desse confronto. A divisão do país - patente, de uma forma mais vívida, na divisão da cidade de Berlim, por um muro que atravessava aquela que tinha sido a sua área mais nobre a Alexandreplatz - era um testemunho da divisão política e ideológica da Europa.
A Divisão do território alemão levou à formação de dois países muito diferentes, cada um dos quais com uma mentalidade e crenças próprias acerca da vida familiar, do emprego, da obediência dos cidadãos ao estado, do bem comum, etc. 

Muitos cidadãos da República Democrática Alemã (Alkemanha de Leste), descontentes com o nível de vida, com o condicionamento ideológico e com a falta de liberdade, procuraram evadir-se para a República Federal Alemã. Cavaram túneis, atravessaram o arame farpado... Alguns foram mortos pelos guardas da fronteira.
Em 1989, a Hungria, que pertencia ao Bloco de Leste, facilitou o atravessamento da fronteira com a Austria. Muitos alemães de Leste aperceberam-se da sua oportunidade de se deslocarem para a Hungria e, daí, para o Ocidente. Pouco depois, surgiram manifestações na RDA pedindo uma mudança de regime. Não havendo o apoio da União Soviética ao governo da RDA, este acabou por ceder e por, mais tarde, se juntar à RFA.

A reunificação, iniciada em 1989, tem sido um processo por vezes difícil, porque as mentalidades de Leste e de Oeste colidem, porque os alemães de Leste se sentiam mais protegidos pelo estado do que agora ou porque os ocidentais consideram que a integração dos alemães de Leste na sua sociedade os deixou um pouco menos ricos e mais confusos.

Esta exposição foi instalada numa colaboração entre os professores de Alemão e a Biblioteca: o professor Diogo Oliveira disponibilizou as fotografias; a Professora Irene Inverno interveio na selecção e organização das fotos, sendo da sua autoria o texto de apresentação da exposição.

Deixamos aqui algumas fotos só para vos espicaçar


No lado ocidental, o Muro encontrava-se completamente grafitado. Do lado Leste era impossível chegar ao muro sem se ser interceptado pela polícia ou simplesmente alvejado. Nesta pitura mural, vemos o Sec. Geral da URSS a beijar Hoenecker, o presidente da RDA (República Democrática Alemã). O beijo beijo de cumprimento entre homens é uma tradição de vários povos. Todavia, o artista erotizou este beijo...

Um soldado através do muro: as populações dos dois lados da Alemanha reencontram-se. Foi um momento de grandes esperanças.

Soldados numa estação de combóio: o traço mais marcante da foto é o sorriso dos dois soldados - sobretudo se pensarmos nos militares e polícias sisudos da Alemanha antes da guerra.
:

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tutoriais: Planificação do trabalho de pesquisa e Recuperação de Informação

Trabalho De Projecto

A. Planificação do trabalho

A planificação é fundamental para realizar um trabalho com qualidade e com o menor esforço possível.

1.º - O que pretendo com o meu trabalho?
Tema → Problema/Objectivo → Público-alvo → Tempo → Plano*
*Plano: organização das ideias, sequência da apresentação (Introdução, desenvolvimento, síntese, bibliografia, anexos), divisão de tarefas, calendário

  • Tem em atenção o tipo de trabalho que te foi pedido: um ensaio é um trabalho muito diferente de uma biografia ou de uma síntese… Pede indicações claras ao teu professor e consulta o tutorial dos tipos de trabalhos para não teres dúvidas sobre o que te foi pedido.
  • Define bem o tema do teu trabalho.
  • Formula o problema a que o teu trabalho responderá (uma pergunta). No caso de se tratar de um trabalho grande e complexo, formula sub-problemas. O problema que formulares definirá o objectivo do teu trabalho (a resposta que pretendes obter/apresentar). Um conselho: formula vários problemas e evita optar por aqueles que já toda a gente conhece.
  • Qual é o teu público-alvo? Temos de conhecer as pessoas a quem nos dirigimos para construirmos o discurso que lhes for mais adequado. Por vezes os professores dão indicações específicas, que têm de ser respeitadas.
  • Quanto tempo tens para fazer o trabalho? – Elabora um calendário para realizares o teu trabalho. Estabelece prazos e cumpre-os.


2.ª – O que já sei? O que vou procurar? Onde vou procurar?
Já tens algumas informações sobre o tema/problema do teu trabalho? Se as tens, confirma-as. Começa por verificar as tuas fontes: onde foste buscar essa informação? Ela coincide com aquilo que podes ler em obras de referência?

Quando não conhecemos bem um determinado assunto, não é fácil formular uma pergunta. Por isso, devemos fazer algumas consultas antes de iniciarmos a escrita do trabalho.

Procura a ajuda do professor que pediu o trabalho, de alunos mais avançados, dos professores e funcionários da Biblioteca ou de outros professores.

  1. Começa por procurar informações em obras genéricas: enciclopédias, dicionários temáticos (ex., Dicionário de história de Portugal; Dicionário de filosofia). Estas são obras pelas quais deves navegar, como se estivesses na Internet; por exemplo, se procurarmos a entrada “Máximo” no Dicionário ilustrado de matemática encontraremos outros termos interessantes que merecem uma investigação: “máximo absoluto”, “máximo local”, “função”, “domínio”… Nesta primeira fase da investigação encontrarás as palavras-chave que te ajudarão a continuar o teu trabalho.
  2. Depois de teres as informações gerais, é mais fácil começar a procurar noutras obras. Começa pelas obras de introdução ou iniciação.
  3. Num terceiro momento, passa para as obras especializadas.


3.ª – Organizar as ideias.

Reler apontamentos → Agrupar e relacionar ideias →
Seleccionar informação → Resumir ou sintetizar → Sequenciar as partes do trabalho → Avaliar: Respondi à pergunta que formulei?

Com algumas leituras feitas e com o tema/problema do trabalho definido pode-se começar a planear a sua estrutura:
  • Revê as notas e o material que consultaste.
  • Agrupa as notas por assuntos.
  • Descarta a informação desnecessária (isto é algo difícil de fazer, sobretudo quando conhecemos mal o tema. Os professores sabem que assim e por aí são capazes de perceber se o aluno sabe muito ou pouco).
  • Elabora um plano do trabalho: quando fores capaz de realizar esta tarefa, a parte mais difícil do trabalho já está feita. No plano deve estar previsto um momento de introdução (em que se apresentam o tema geral do trabalho problema formulado e o método de investigação), a sequência da apresentação de ideias/informações e um momento de síntese ou conclusão. O plano deve ser detalhado.



B. Localizar fontes e informação

É importante saber localizar as fontes de informação mais adequadas ao trabalho que me pediram. Geralmente, as fontes de informação utilizadas são livros ou sites; mas também podem ser pessoas, ou o mundo à nossa volta. Tudo depende do que nos foi pedido e dos objectivos que definimos para o nosso trabalho.
Caso necessites de procurar a informação em livros ou sites, começa por pedir indicações ao teu professor. Podes também pedir informações aos professores e funcionários da Biblioteca.

Deves tomar atenção ao facto de as diferentes fontes não terem todas a mesma qualidade. Umas são mais fiáveis ou actualizadas que outras; umas são mais aprofundadas que outras.

Que fontes consultar primeiro?
Fontes impressas (costumam ser mais fiáveis do que as fontes on-line e têm a informação mais concentrada ou aprofundada)
·        Obras genéricas: enciclopédias, dicionários temáticos,
·        Obras de consulta gerais
·        Obras especializadas
·        Jornais e revistas,

Na Biblioteca, a informação encontra-se organizada em 9 grandes áreas. Cada uma delas começa por um algarismo diferente e está representada por uma cor diferente na etiqueta do livro.

As grandes áreas são as seguintes:
0 – Generalidades e obras de referência (dicionários e enciclopédias); organização do conhecimento; Informática.
1 – Cultura; Filosofia; Psicologia; Ética e bons costumes (amarelo)
2 – Religião e Teologia
3 – Ciências Sociais: Estatística; Demografia; Sociologia; Direito; Administração; Educação; Antropologia; Etnografia.
4 – (Classe vazia)
5 – Ciências naturais e Ciências puras: Ciência em geral; Matemática; Física; Química; Geologia; Paleontologia; Botânica; Fauna.
6 – Ciências aplicadas: Anatomia e Fisiologia; Medicina; Saúde e segurança; Engenharia; Energia; Gestão; Contabilidade; Relações Públicas.
7 – Artes: Arquitectura, Artes plásticas; Artes performativas e espectáculos; etc.
8 – Línguas, Linguística e Literatura
9 – Biografias, Geografia, História, Fundo Local




Fontes on-line/digitais
·        Obras publicadas em suporte físico (ex.: Diciopédia): são obras cuja edição costuma ser cuidada e cujos responsáveis são identificados.
·        Sites de Instituições fidedignas e cujos responsáveis se encontram identificados: Institutos e fundações, serviços do estado, universidades, bibliotecas, bibliotecas digitais, centros de documentação, agências.



Utilizar fontes on-line:
A quantidade de material on-line é assombrosa. Todavia, muito desse material não tem qualidade. É preciso saber escolher as boas fontes.
Geralmente, a pesquisa de material é feita através dos motores de busca (Google, Altavista, SAPO…). A maior parte dos alunos fica-se pelos dois primeiro sites que lhe aparecem na lista e não se dá ao trabalho de verificar a qualidade desses sites. Por outro lado, a pesquisa é feita sem critério, produzindo um excesso de informação inútil.
A resposta ao primeiro problema está em ser-se mais paciente e procurar informação em pelo menos cinco sites. Essa informação deve ser lida e compreendida antes de se saber se deve ser utilizada. Além disso, do material que consta no site consultado, é natural que interesse apenas uma parte. Essa selecção terá de ser feita.
Conselhos:
·        Consulta pelo menos cinco sites.
·        Verifica a fiabilidade dos sites
·        Tira apontamentos.
·        Anota o endereço completo do site e indica-o na bibliografia.
·        Utiliza o teu endereço de e-mail e uma pen drive para guardar os apontamentos.
·        Não te limites a copiar os textos que descobres.

A resposta ao segundo problema (excesso de informação) está em utilizar os conectores booleanos (“   “, +) para procurar a partir de palavras-chave:

Se escrevermos
constituição portugal
obtemos muitos mais resultados que se escrevermos
“constituição da república portuguesa” ou
constituição+portugal
As aspas (“…”) indicam ao motor de busca que pretendemos sites onde ocorra a expressão que escrevemos. O sinal + indica que queremos sites onde ocorram todos os termos que ele relaciona. Assim,
constituição+portugal+1976
é um indicador de pesquisa mais restrito (ou seja, com um filtro mais potente) que a expressão
constituição+portugal


F. Cristina Rodrigues, Mário Ferro, Paulo Sousa